A Revista Construsul entrevistou o presidente (Managing Director) da Roca Brasil Cerámica, Sérgio Wuaden sobre o balanço da empresa no ano de 2020, estratégias adotadas no período de pandemia e as perspectivas para o próximo ano. Wuaden é formado em Administração de Empresas com especialização em Administração e Gestão e MBA em Gestão de Negócios, pela FGV e possui mais de 30 anos de experiência no mercado.

“Registramos nos três trimestres de 2020 um faturamento 21% maior do que o registrado em igual período de 2019 e esperamos um resultado 27% maior ao final de 2020”.

 

roca-3Em 1989, começou sua história com a Incepa, pertencente à Roca Brasil Cerámica. Ocupou posições importantes de nível gerencial, nas áreas Comercial e de Relacionamento com o Cliente. Em 2012, tornou-se diretor Geral Comercial em uma subsidiária de uma empresa americana, onde desenvolveu novas skills de gestão empresarial. 

Em 2018 retornou para Roca, liderando diversos projetos de peso, com importantes mudanças na área comercial. Desde abril de 2020 ocupa o cargo de presidente (Managing Director) da Roca Brasil Cerámica.

Quais foram às estratégias adotadas pela Roca durante o período de pandemia?

Diante do cenário mundial turbulento e desafiador, precisamos nos reinventar e estávamos preparados para isso, com tomadas de ações rápidas que visaram assegurar a saúde das pessoas e garantir a continuidade da operação, impactando diretamente na economia local, principalmente nas cidades de Campo Largo e São Mateus do Sul, no Paraná, onde estão localizadas nossas fábricas. Mesmo com as dificuldades que o período da pandemia nos trouxe – muito comprovado pelos meses incertos que vivenciamos em abril, maio e junho – a visão de mercado, o trabalho a longo prazo que já estávamos realizando e os investimentos em tecnologia e inovação asseguraram nossa força para seguirmos firmes nesse período e logo registrar a reação esperada.

Grande responsável por nosso crescimento, colhemos os frutos das estratégias que culminaram no grande lançamento que chegou para suprir uma carência significativa do mercado: as lâminas e lastras SuperFormatos, que começaram a ser fabricadas em janeiro de 2020. Esse foi um diferencial muito relevante e exponencial, pois nos tornamos a primeira empresa no Brasil a produzir produtos com essas dimensões.

Quais foram às principais ações?

roca-2Promovemos a revisão dos processos, cuidamos das pessoas – promovendo a segurança e proteção máxima para trabalhar –, e implementamos o home office para as equipes que podem atuar de forma remota. Mesmo nos períodos mais restritos, conseguimos manter a operação em todas as áreas. Em paralelo, os constantes investimentos em comunicação, marketing e vendas, que nos últimos anos permitiram ampliar o reconhecimento das marcas, também se mostraram fundamentais. 

Qual o balanço do ano de 2020?

O ano de 2020 começou bastante otimista. Em fevereiro, com nossa Avant Première – evento anual promovido para antecipar, aos clientes lojistas de todo Brasil, os lançamentos desenvolvidos pela empresa – o volume de negócios fechados já sinalizava o alcance evolutivo das metas de crescimento traçadas. Na Revestir, o contato com o mercado de arquitetura e construção como um todo nos deu a chancela da robustez que as nossas soluções para 2020 representavam para o segmento. Entretanto, dias depois da feira, ainda no decorrer do mês de março, começamos atravessar um cenário completamente diferente e inesperado em função pandemia.

Ainda assim, fechamos 2020 com um balanço extremamente positivo, muito pautado em nosso grande lançamento, os SuperFormatos. 

Qual a comparação de 2020 com o ano anterior?

Registramos nos três trimestres de 2020 um faturamento 21% maior do que o registrado em igual período de 2019 e esperamos um resultado 27% maior ao final de 2020. Também tivemos um incremento expressivo no quadro de funcionários, que fechou com um crescimento de 14% quando comparado a 2019. Atribuímos nosso resultado positivo às estratégias de posicionamento de mercado, à nossa linha de produtos muito inovadora, e à atuação acertada nos movimentos no início da pandemia, vindas de uma crença no mercado e sua recuperação.

Quais as perspectivas de mercado da empresa para o próximo ano?

Seguimos muito confiantes quanto ao nosso desempenho no último quarter de 2020. Já com vistas para 2021, enxergamos como oportunidades a expansão do mercado brasileiro de construção civil e alguns fatores políticos e econômicos em nível mundial, que nos permitem levar nossa produção para o exterior. Além de ampliar a presença nos EUA, estamos confiantes quanto a real oportunidade de expandir nossa atuação no mercado europeu.

Quais são os objetivos da empresa para 2021?

Continuaremos a investir em tecnologia, acabamentos, texturas e tendências. E, sem dúvidas, os SuperFormatos continuarão como nosso foco, pois o mercado estava carente desse tipo de solução. Nossa previsão é de um crescimento na ordem de 100% de volume, a cada dois ou três anos.

No mercado interno hoje somos líderes de produção e venda de lâminas e lastras SuperFormato. Temos uma capacidade produtiva na ordem de 12,5% em termos de volume em SuperFormato, que tem sido usada 100% durante 2020. Além de possibilitarem a cobertura de grandes superfícies sem o incômodo das juntas, nossas peças foram produzidos com tamanhos estratégicos – o formato 1,2 x 2,5 m se assemelha ao pé-direito mais comum nas construções brasileiras, permitindo que se faça um revestimento de parede sem nenhuma junta horizontal. Já o formato 1 x 2 m é uma solução inteligente para reformas em apartamentos, pois pode ser facilmente transportado por elevadores ou escadas, sem as preocupações com içamento.